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..::: O limite extremo da sensatez é o que o público baptiza de loucura :::... Cocteau, Jean

quinta-feira, junho 28, 2007

Tristezas...




Tristezas...

Mas ninguém gosta de ouvir tristezas alheias. Para quê?
De problemas bastam os meus. Quer dizer, algumas vezes é até divertido, quando sentimos aquela sensação mórbida de ouvir o fracasso do vizinho.

É como ir ao circo: toda gente prende a respiração quando o trapezista está desafiar o perigo nas alturas. É óbvio que não queremos o mal dos artistas, tanto que ficamos nervosos na hora em que eles propositadamente quase escorregam. Mas lá no fundo, bem no fundo, todos nós desejamos vê-los a cair. Ou contrário não haveria razão de pagar o bilhete, fdx, afinal eu já sabia. Ouvir tristezas é mais ou menos parecido.

Pois então, quero falar das minhas tristezas. Mas não quero falar em vão. Quero que as leiam, pensem, reflitam.

Quero realmente falar das minhas tristezas. Não quero ficar triste à toa. Preciso ouvir alguém falar que há males que vem por bem. Que tudo tem um lado bom. Que as nossas escolhas tem metade da hipóteses de dar certo. Que o melhor a se fazer é levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima. Que ficar triste não me levará a nada. Que sorrir é o melhor remédio.

Alias, porque não se vendem sorrisos na farmácia? Sorriso não é remédio? Onde se vende remédio?

Aí!!! Chegarão algumas pessoas com alegria no rosto e dirão: "Ah, mas para conseguir um sorriso basta querer, basta acreditar e sonhar com um futuro melhor". Ótimo, então troque de lugar comigo e daqui a um mês diz-me se é fácil lidar com as minhas tristezas, ok ?????

Quero falar das minhas tristezas, mas não quero fórmulas mágicas. Porque, as minhas tristezas são minhas e só minhas....

E bem, poderia virar Australiano, ou Francês, ou Libanês (Ah, não, lembrei-me que eles estão a morrer), para não precisar votar no Sócrates de novo. Eleição renova as minhas tristezas, e ele renova muitas tristezas mesmo!!!!

Lembro-me que todos os dias eu vou até a praia e vejo o sol nascer (nunca haverá, nem em mil anos, espetáculo mais lindo, que me enche de felicidade e esperança). E depois vem novamente a noite mais tarde, escura, fria, sussurrando meus medos na penumbra do meu quarto.

Quero falar das minhas tristezas, mas se alguém pretende ouvi-las, que me procure de madrugada. Será um prazer desabafar. Pois de manhã eu já tenho compromisso. Vou até a praia ver mais uma vez o sol nascer, e então não mais terei tristezas para compartilhar.


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